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Serial Killers - Parte XI - Mitos Sobre Serial Killers Parte 6

#6: ELES SÃO TODOS BRANCOS Contrariando o mito popular, nem todos os serial killers são brancos. Serial killers existem em todos os gr...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A Vantagem do Predador


Predadores bem sucedidos são mentalmente flexíveis e resilientes, mesmo quando são pegos.

Sim, eles são. E aposto que você está confuso porque muitas vezes encontra casos onde alguns desses predadores demonstram uma total desorganização em seus atos, ou um grande descontrole emocional. Mas é agora que devemos enfatizar a palavra ALGUNS, e é agora que devemos ter bem claro que na Saúde mental como um todo qualquer generalização induz ao erro, à um diagnóstico equivocado e nesse caso, ao perigo! 

Predadores bem sucedidos preparam-se antecipadamente. Eles consideram todos os ângulos para o caso deles serem pegos e precisarem se explicar, então é difícil pegá-los em flagrante. Eles estão em alerta o tempo todo, isso é cansativo e por isso que exige uma grande capacidade de estar atento aos detalhes e de raciocinar com rapidez e lógica (frequentemente chamamos isso de ser calculista e de agir com frieza).

Um exemplo real foi envolvendo o famoso Serial Killer Jeffrey Dahmer:

"Em maio de 91 Dahmer quase foi pego. Um jovem de 14 anos chamado Konerak escapou do apartamento de Jeffrey – nu, sangrando, mas um pouco sedado. Duas mulheres o viram na rua, e chamaram assistência. Dahmer apareceu antes da polícia, e as mulheres viram o jovem tentando resistir ao assédio de Jeffrey, embora sem condições de falar muita coisa. 

Elas tentaram dizer isto aos policiais, quando estes chegaram; mas Jeffrey Dahmer disse à polícia que o garoto era maior de idade e que eles eram amantes, e a história ficou por isto mesmo. O jovem não falava inglês e a polícia acompanhou Dahmer enquanto este levava o jovem de volta para o apartamento. Na cama de Dahmer estava o corpo de um outro homem, morto há três dias. Mas a polícia, no apartamento, só viu fotos de Konerak vestindo um biquíni preto.

Quando os policiais foram embora, Dahmer não se preocupou: voltou às suas “brincadeiras” com Konerak, e o matou."

Como eles fazem isso?

1. Eles estabelecem um objetivo: Eles sabem o que querem e o que será necessário para conseguirem isso. Eles não são inibidos pela possibilidade de causar dano ou mal, eles permanecem focados.

2. Eles criam um plano: E esse plano não abrange apenas como eles irão conseguir o que desejam; o plano também inclui rotas de fuga: Como irão sair de alguma situação inesperada ou aparentemente sem saída (por exemplo, que história vou contar se eu for confrontado? O que eu preciso levar comigo? Como eu devo agir? O que devo fazer para corroborar a minha versão? Com quem eu preciso entrar em contato(aqui traduzimos: quem eu posso usar?) pra confirmar a minha história? E etc.

3. Eles compartimentam muito bem: Eles perdem anexos emocionais que são responsáves por provocar sinais de incômodo, ou sentimento de constragimento em situações onde as pessoas "normais"são pegas cometendo algum ato ilegal ou moralmente questionável. Predadores treinam-se para não apresentarem esses sinais, e com facilidade tornam-se outra pessoa ou assumem perante a sociedade diferentes papeis que os deixam livres de quaisquer suspeitas. Alguns não sentem remorso naturalmente, outros adquirem essa habilidade.

Ao aprenderem a se passar por indivíduos normais - honestos, confiáves - eles sabem como agir enquanto o plano está em ação e durante a fuga. Eles se recuperam com rapidez de situações arriscadas, e em uma fração de segundos assumem a sua "história de capa" com facilidade.

O Serial killer Dennis Rader (BTK) sempre levava com ele uma sacola de compras, inclusive quando deixava os locais dos seus crimes para o caso de ser parado e questionado por algum policial. Ele queria que acreditassem que ele estava na área para fazer compras inocentemente, e com frequência deixava o carro estacionado próximo de alguma loja.
Denis Rider era um pai de família exemplar, chefe da congregação da igreja, e aterrorizou por mais de 20 anos a cidade de Wichita.

O sucesso dos predadores depende em parte de quão bem eles estudam suas presas, eles funcionam em um contexto diferente no que se refere a aprender as coisas. Se eles te perguntarem sobre seus filhos ou animais de estimação, eles não o fazem porque estão interessados verdadeiramente em você; e sim porque estão avaliando potenciais obstáculos - ou metas. Eles estão procurando "deixas" e avaliando possibilidades.

Por nos estudarem, eles sabem que a maioria de nós tem uma facilidade peculiar para bloquear coisas que não acreditamos que realmente ocorram - somos vulneráveis à falsidades que melhor combinam com nossos quadros perceptivos (mecanismos de defesa, desejos e carências).

Um exemplo de predador podemos encontrar no livro “Meu vizinho é um psicopata”, da Martha Stout, Ph.D., em seu capítulo 4, onde conta a história de uma psicóloga de 34 anos, bonita, bem vestida, que dirigia uma BMW, e que era extremamente querida no hospital em que trabalhava, mas que escondia uma outra faceta: menosprezava seus colegas de trabalho e manipulava todos ao seu favor.


Após inúmeras “sabotagens” (incluindo colegas do próprio hospital e pacientes que tiveram uma piora no seu quadro), descobriram que a psicóloga não tinha registro e muito menos diploma de doutorado como alegava, apenas o fato de que aos 22 anos formou-se em psicologia em sua cidade natal. 

Os predadores usam deflexão, padrões sociais e a falta de informação para ter cobertura. Muitas vezes eles usam charme e personalidade artificiais, e um sucesso que não existe para ganhar a confiança das pessoas. Eles permanecem relaxados porque eles tem um plano de saída no lugar; e como estão confiantes de que funcionará eles não ficam nervosos.

Algumas semanas atrás, um homem extorquiu uma mulher do Brooklyn (EUA) no valor de 9.500 dólares. Ele fingiu ser alguém que ela conhecia, disse que precisava do dinheiro para pagar a fiança do irmão, e que ele enviaria alguém para pegar o dinheiro com ela. Ela entregou o dinheiro a um estranho e não soube de mais nenhuma notícia do suposto amigo, já que ele não atendia mais as suas ligações. Depois disso resolveu contar o acontecido para uma amiga que foi atrás, e então ela descobriu que havia sido enganada. Como ela pode ter dado tanto dinheiro a alguém que ela não conhecia? Acreditar na história foi mais fácil do que aceitar que ela poderia ser um alvo, e que poderia ser tão facilmente enganada.

Predadores sabem como desviar a nossa atenção, eles sabem o que é preciso para enganar o cérebro. Nós queremos acreditar que não somos vulneráveis, por isso é mais fácil aceitarmos uma explicação enganosa que alinha com o que esperamos que seja verdade. Os predadores criam um quadro no qual administrar a nossa atenção. Eles sabem o que é preciso para enganar o cérebro. Queremos acreditar que não somos vulneráveis, por isso é mais fácil aceitar uma explicação enganosa que alinha com o que esperamos seja verdade. E nos deixamos seduzir com mais facilidade ainda se o indivíduo for charmoso e engraçado, apresentar um sorriso vencedor, se vestir bem,  e conversar sobre suas conquistas e mentindo com uma suavidade praticada.

Nas interações sociais, nós assumimos significados ao que os outros dizem; então investimos pessoalmente em nossas ações e mostramos possuir certos tipos de costumes - pois acreditamos na boa imagem que esses costumes transmitem. Nós tendemos a dar muita importância às aparências. Em parte, é um mecanismo de defesa, mas em parte queremos que os outros pensem bem da gente e querermos pensar bem dos outros. Predadores reconhecem essa necessidade, e é aí que eles nos pegam.


Até hoje muitos acreditam na versão armada por Charles.
Considere a história do Tenente Charles "GI Joe" Gliniewicz. Pai de um menino de 4 anos, ele havia sido um oficial de polícia dedicado por 30 anos, doando grande parte do seu tempo livre para o programa Kids Explorer. No entanto, ele estava se aproximando da aposentadoria e por isso pareceu extremamente injusto quando em 1 de setembro de 2015, ele foi morto a tiros enquanto procurava três homens, em uma tentativa de roubo que ele havia reportando, solicitando reforço. Muito dinheiro foi gasto perseguindo seus assassinos e honrando-o.

Mas em uma investigação apareceu um lado sombrio. Durante sete anos, Gliniewicz apresentou a imagem de um herói limpo que se importou com crianças, ao mesmo tempo em que desviava milhares de dólares dos fundos dos Exploradores. Ele sabia que um novo administrador contratado para auditar os livros de finanças descobriria seu roubo. Textos apagados sugeriram que ele considerou se matar; na verdade ele não havia sido assassinado por bandidos. Ele era um cara ruim que se matou e encenou para que se parecesse com um homicídio, para proteger sua reputação. Com charme e uma fachada de generosidade, ele mexia nos bolsos das pessoas. Mesmo na morte, ele tentou desviar atenção do povo.

Predadores bem sucedidos estão preparados, e eles têm diferentes perfis de atuação e podem apresentar vários níveis desse desvio de personalidade, chamado de Psicopatia. Ao contrário do que pensamos, a maioria não comete atos violentos:

"- Muitos estão entre nós, agindo como predadores sociais que conquistam, manipulam e abrem caminho na vida cruelmente, deixando um longo rastro de corações partidos, expectativas frustradas e carteiras vazias”, descreve Robert Hare.
Eles sabem como nos enganar, e eles não têm receio de fazê-lo, se isso ajudá-los a obter o que querem.

Referências: 

- Sem consciência” (editora Artmed, 2012)- Robert Hare

- Meu vizinho é um psicopata - Martha Stout
http://murderpedia.org/male.R/r/rader-dennis.htm


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Notas sobre a Psicologia do caso Fera da Penha

A história se repete... A “Fera de Caxias”... (ou, a “Fera da Baixada”)

Resultado de imagem para FERA DA BAIXADA

A assassina confessa de Lavínia Azeredo de Oliveira de 6 anos, Luciene Reis de 24, foi indiciada por homicídio triplamente qualificado (crime premeditado, cometido por meio cruel e sem direito de defesa à vítima), com pena máxima de 30 anos de prisão. Segundo o delegado adjunto da 60ª DP (Campos Elíseos), Luciano Zahar, Luciene saiu de casa com intenção de matar a menina.

O corpo da menina Lavínia Azeredo de Oliviera de 6 anos, que estava desaparecida desde 28/02/2011, foi achado na manhã do dia 03/03/2011 em um hotel simples em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Luciene presta depoimento na delegacia de Campos Elíseos (62ª DP). Ela foi presa e confessou o crime, segundo o delegado Róbson Costa.

De acordo com a perícia inicial, Lavínia foi morta por asfixia com um cadarço de tênis no mesmo dia. O corpo foi achado por uma camareira, e segundo a polícia já estava em decomposição.

A Justiça determinou a prisão temporária por 30 dias de Luciene Reis Santana de 24 anos, acusada de assassinar a menina Lavínia Azeredo de Oliveira. Amante do pai da criança, Luciene foi presa na manhã do dia 02/03/2011 em Jardim Gramacho, local onde ela receberia R$ 2 mil para entregar a menina. O encontro foi uma emboscada planejada pela polícia com o auxílio do pai de Lavínia, Rony dos Santos Oliveira, e pelo ex-marido dela, Euzimar de Oliveira Silva.

Luciane Reis foi condenada pelo júri popular a 43 anos de prisão em 2012, a sentença inclui ainda uma multa de 300 salários mínimos que Luciene terá que pagar para a família de Lavínia. De acordo com os advogados de defesa e acusação, no entanto, a multa passa a ser simbólica porque ambas as partes entendem que Luciene não tem condições de arcar com essa despesa.

Após a sentença, o pai da menina abraçou o promotor de Justiça e emocionado, chorou muito.


Como pudemos ver acima, os anos passam e homicídios passionais bem semelhantes ao da Fera da Penha continuam acontecendo. Vale enfatizar que o assassino passional raramente se arrepende. Geralmente estes matadores eventuais são em sua maioria homens, mas também existem mulheres que cometem este tipo de delito. 

Segundo o entendimento de Luiz Ângelo Dourado, especializado em psicologia criminal, o homicida passional é acima de tudo um narcisista, ou seja, uma pessoa vaidosa, com autoconfiança exagerada. Essas pessoas passam a vida enamoradas de si, elegem a si próprias ao invés de fazê-lo aos outros, como objeto de amor, reagindo assim contra quem tiver a audácia de julgá-los como pessoas comuns que podem ser traídas, desprezadas e não amadas.

Para algumas pessoas a traição ou fim do relacionamento os levam a tentar destruir o objeto de desejo, isto está diretamente ligado com a personalidade de cada um e da sua carga cultural. Raramente podemos prever que alguém matará, principalmente diante de tais circunstâncias. 

No entanto, as mulheres costumam ser mais resistentes e quando traídas a maioria perdoa ou tenta o suicídio, pois historicamente, a educação lhes dá mais tolerância. No entanto, quando cometem este tipo de crime às vezes são mais cruéis que os homens. Quem nunca ouviu falar numa mulher traída que jogou água quente no ouvido do marido quando o mesmo estava dormindo ou cortou o seu órgão genital?

Leon Rabinowcz explica bem o aludido acima: a mulher traída nem sempre se vinga sobre o marido ou sobre sua cúmplice. Com freqüência perdoa, por vezes suicida-se de desespero, quando se vê abandonada para sempre, mas quando toma o partido de se vingar, a sua vingança é atroz. É um traço característico da psicologia da mulher. Exasperada, passa a ser um monstro de ferocidade, que só respira vingança e só pensa em submeter a sua vítima aos mais atrozes sofrimentos. São verdadeiras especialistas da dor.

Um exemplo real é o caso de Neide Maria Lopes, que ficou conhecida como a “Fera da Penha”. Mas, vale ressaltar que os homens são tão ciumentos quanto as mulheres, e que em alguns casos também utilizam-se da perversidade.

Um outro exemplo real de crime passional cometido com requintes de crueldade, só que desta vez por um homem, foi o caso daquele marido que, na Guanabara, em 1998, num acesso de ciúme, amarrou as mãos e os pés da esposa, colocou esparadrapo na boca e, em seguida, sem que ela pudesse fazer qualquer movimento de defesa, após arrancar-lhe a roupa, deslizou um ferro de passar em brasa, sobre toda a pele do seu corpo, até que ela, inteiramente queimada, veio a morrer.

 O conceito de amor para Freud, portanto, é uma ampliação do conceito de sexualidade, definido como um conjunto de processos mentais internos que dirigem a libido do indivíduo para um objeto (parceiro) com objetivo de obter satisfação. Autores mais recentes propõem que a atitude de fixar atenção e cuidados em relação ao companheiro é esperada em qualquer relacionamento amoroso saudável. Todavia, quando ocorre falta de controle e de liberdade de escolha sobre essa conduta, de modo que ela passa a ser prioritária para o indivíduo, em detrimento de outros interesses antes valorizados, está caracterizado um problema denominado amor patológico (AP).

Devido a características culturais facilitadoras, parece que o AP é particularmente prevalente na população feminina. A tendência em se tornar, nos termos utilizados pelas pessoas que sofrem com o problema, “obcecada” ou “viciada” pelo parceiro, em “viver pelo outro”, esperando que ele dê significado à sua vida, costuma ser mais referida pelas mulheres, uma vez que em geral, elas consideram a relação a dois como prioridade em sua vida.

O potencial para atitudes violentas e egoístas também é destacado nesse quadro, que desperta importante interesse da psiquiatria forense.Os portadores de AP costumam vivenciar relações conflituosas desde cedo e a presença do parceiro oferece uma ilusória defesa contra o sofrimento mental. No Caso da Fera da Penha, a defesa ilusória na qual emergia era de que o Pai de Taninha a amava, porém o que o impedia de se separar da mulher era a própria Taninha. Taninha era vista como um obstáculo e uma ameaça ao relacionamento dos dois, Taninha era a rival pois era a mulher que o seu objeto de desejo mais amava. Nesse caso a essência da frase "se não for meu não será de mais ninguém", pode ser vista de outra maneira: se eu não sou a pessoa mais importante na sua vida, eu vou tirar de você quem tomou o meu lugar na sua vida.

Referências: 








sábado, 20 de maio de 2017

Recomendações Caso Fera da Penha

- Filmes

Crime de Amor

SINOPSE: A enfermeira Cacilda (Beyla Genauer) conhece o operário Altino (Carlos Alberto) e eles iniciam um romance, mas ao descobrir que está sendo enganada, Cacilda arquiteta um plano de vingança. Baseado em fatos reais (baseado no caso Fera da penha)

Link para assistir o filme online! Só clicar em principal: https://megafilmes.club/drama/5029-crime-de-amor.html


O lobo atrás da porta (2013)


Sinopse: Em uma delegacia, um homem, sua mulher e a amante dele são interrogados. Arrancados pacientemente pelo detetive, um após o outro, seus depoimentos vão tecendo uma trama de amor passional, obsessão e mentiras que levará a um final inesperado.





- Documentário

Linha Direta Justiça (2003) – Rede Globo




Culpado ou inocente (1983) - Rede Bandeirantes: Programa que simulava julgamento de casos famosos, o caso fera da penha foi mostrado em 83. Raríssimo, não achei disponível nem no Youtube.


- Livros

Os olhos dourados do ódio (1962), de José Carlos Oliveira

Sinopse: Os textos aqui apresentados foram escolhidos entre os muitos que o autor publicou no Jornal do Brasil, primeiro sob a forma de artigos semanais, entre abril de 1959 e o início de 61, e em forma de crônicas diárias desde setembro deste último ano." E um desses textos fala sobre o caso. Livro Raríssimo.
Achei para comprar: https://www.estantevirtual.com.br/babellivros/jose-carlos-oliveira-os-olhos-dourados-do-odio-autografado-199882951


CRIMES QUE ABALARAM O BRASIL

Sinopse: No dia 7 de outubro de 1928, sob a garoa fina do porto de santos, uma simples mala cai do guindaste de um navio que partiria para a Europa. iniciava-se assim um dos mais macabros e misteriosos casos da crônica policial brasileira, que ficou conhecido como o crime da mala. essa é a primeira das sete histórias reais resgatadas no livro crimes que abalaram o brasil, que a editora globo acaba de lançar. alguns dos crimes que mobilizaram a sociedade brasileira ao longo de meio século são apresentados ao leitor em uma linguagem jornalística eletrizante, que contribui para a reconstituição do clima dos acontecimentos e de sua repercussão na época

(Os livros abaixo são tão raros que nem a sinopse encontrei)

- Características do crime esquizofrênico (1965), de José Alves Garcia.
- Alguns casos de polícia (1978), de José Monteiro




- Artigos



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Crimes da semana: 13/05/2017 - 19/05/2017


- 19/05/2017


Três vítimas de envenenamento no Dia das Mães recebem alta de hospital no Recife
Uma pessoa continua internada, em estado grave, no Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife. Suspeito de praticar o crime se apresentou à polícia na quarta-feira (17) e foi preso.
Hospital da Restauração (HR), no Recife, recebeu quatro das nove vítimas com suspeita de envenenamento (Foto: Ana Regina/TV Globo)
Hospital da Restauração (HR), no Recife, recebeu quatro das nove vítimas com suspeita de envenenamento (Foto: Ana Regina/TV Globo)

Receberam alta na manhã desta sexta-feira (19) três das seis vítimas que estavam internadas após um possível envenenamento criminoso ocorrido no domingo (14), Dia das Mães, em Camaragibe, no Grande Recife. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital da Restauração (HR), no Centro da capital, os pacientes deixaram a unidade pouco depois das 9h.

Agora, apenas uma das vítimas continua na UTI do hospital. É a ex-namorada do principal suspeito de praticar o crime. Nove pessoas da mesma família foram encaminhadas a hospitais da capital e Região Metropolitana após um almoço. Ninguém morreu.

Além das quatro pessoas que estavam no HR, duas vítimas continuam internadas no Hospital Nossa Senhora do Ó, em Paulista, no Grande Recife. Os três integrantes da família encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento dos Torrões, Zona Oeste da capital, foram liberados na segunda-feira (15) e não apresentaram sintomas de envenenamento.

O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Angelo Fernandes Gioia, confirmou, na quarta-feira (17), que as nove pessoas da mesma família foram envenenadas com ‘chumbinho’, um agrotóxico usado para matar ratos. Segundo ele, esse foi o resultado obtido pelo Instituto de Criminalística (IC) ao analisar vestígios encontrados na residência.

O suspeito se apresentou à polícia na manhã do mesmo dia e foi preso. Ele prestou depoimento à delegada Euricélia Nogueira, responsável pela investigação, na delegacia de Camaragibe, no Grande Recife, município onde ocorreu o caso.

De acordo com a perita criminal Vanja Coelho, a comprovação da existência da substância do chumbinho deixa claro que a intenção foi causar um envenenamento coletivo. Segundo ela, a galinha e o feijão servidos às pessoas que estão internadas exalavam um odor parecido com gás liquefeito. Por meio das análises, ficou constatada a presença da substância do chumbinho.

Entenda o caso

O envenenamento da família de Camaragibe ganhou repercussão no domingo (14). De acordo com informações de vizinhos, o crime foi motivado pelo fim relacionamento amoroso.

No sábado (13), o suspeito foi à casa da família, tentando reatar o namoro com uma jovem. Ele pediu que ela colocasse créditos no celular dele. Na ausência da mulher, poderia ter acesso à cozinha da residência.

A jovem teria preparado os alimentos, durante a noite do mesmo dia, e passou mal logo depois, sendo levada ao HR, e continua internada em estado grave. A família não associou o caso à comida. Assim, no domingo (14), o alimento voltou a ser consumido, durante o almoço do Dia das Mães.

A polícia encontrou vestígios de um material preto no colorau e, por isso, existe a suspeita da presença de chumbinho. A comida provocou a morte do gato da família. O cadáver do animal vai servir como fonte de investigação e coleta de provas para o Instituto de Criminalística (IC).
Fonte: G1/PE

Treinador de escola de futebol é preso suspeito de aliciar menores na BA
Caso ocorreu na cidade de Canarana, região de Irecê. Denúncia foi feita pelo Disque 100.

Um treinador de uma escola de futebol foi preso no município de Canarana, na região de Irecê, suspeito de aliciar menores. De acordo com a polícia, ele foi denunciado por meio do Disque Direitos Humanos, conhecido como Disque 100.

O suspeito foi preso em casa, na última quarta-feira (17), e teve materiais apreendidos para investigação. Em contato com o G1 nesta sexta-feira (19), o delegado Alex Nunes, responsável pelo caso, informou que aguarda resultados da perícia do material para decidir se o suspeito será indiciado. O delegado não informou a idade das vítimas e nem do treinador.

Segundo o delegado, o resultado deve sair entre segunda (22) ou terça-feira (23). A denúncia foi registrada com base em uma vítima, mas a polícia investiga ainda se há outros casos envolvendo o suspeito.
Fonte: G1/BA


- 18/05/2017

Jovem que confessou ter matado adolescente em escola segue desaparecida após internação ser decretada
Justiça determinou a internação da adolescente de 12 anos há quase 20 dias. Avó da adolescente disse que ela mudou de endereço.

Marta morreu dentro da sala de aula em Cachoeirinha (Foto: Reprodução/RBS TV)
Marta morreu dentro da sala de aula em Cachoeirinha
Quase vinte dias depois de ter a internação decretada pela Justiça, a adolescente de 12 anos que confessou ter matado uma estudante dentro da sala de aula em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ainda não foi localizada pelas autoridades.

De acordo com o delegado Leonel Baldasso, responsável pelo inquérito, desde o final do mês passado, policiais tentaram apreender a adolescente em duas ocasiões.

Na última tentativa de localizar a jovem, a avó da menina disse que ela mudou de endereço, mas não soube dizer onde a adolescente estava. Conforme a polícia, não foi possível localizar a mãe ou outros familiares. As buscas continuam.

O inquérito apontou que Marta Avelhaneda Gonçalves, de 14 anos, foi morta após se envolver em uma briga no dia 8 de março na escola estadual Luiz de Camões. O laudo da perícia apontou que ela foi asfixiada.
Fonte: G1/RS


- 17/05/2017

Suspeito de cometer assédio sexual com aluna de 11 anos, professor da rede pública de SP é demitido
De acordo com estudante de Limeira, o docente tentou beijá-la e passou a mão nas partes íntimas dela.

O contrato do professor de 68 anos suspeito de assediar uma estudante de 11 anos dentro da sala de aula na escola estadual Octávio Pimenta Reis, em Limeira (SP) foi extinto pela Diretoria de Ensino de Limeira nesta quarta-feira (17), segundo a Secretaria Estadual de Educação.

De acordo com a aluna, o professor de matemática tentou beijá-la a força e passou a mão nas suas partes íntimas em 4 de maio.

‘Foi assim eu tava arrumando as carteiras, porque a gente tinha feito trabalho em grupo e aí eu fui a última a sair (da sala). Então, o professor entrou na frente, fechou a porta, mas antes disso ele tinha me pedido para esperar um pouco. Aí eu falei, tá bom. Aí ele tentou me beijar, eu virei o rosto e ele passou a mão na minha parte íntima", conta a estudante’.

Depois do ocorrido, o professor abriu a porta da sala de aula e a menina foi embora para casa com uma vizinha. A menina contou para mãe, que resolveu registrar um boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

O professor foi intimado a depor na DDM e alegou para a equipe da EPTV, afiliada da Globo, que não poderia conceder entrevista, porque a escola não permitia. As investigações descobriram que o docente já tinha sido suspeito de cometer estupro em 1980 na cidade de Pirassununga (SP)

A delegada da DDM pediu à Justiça a prisão preventiva do professor, mas ela foi negada. Ele responderá o processo em liberdade.

Fonte: Por Jornal da EPTV 2ª, G1 Piracicaba e região


Professora morta por ex-marido em Mogi denunciava violência doméstica desde 2013, diz polícia
De acordo com a delegada da Mulher, Valene Bezerra, seis inquéritos foram abertos.

O operador Davi Ferreira dos Santos, de 51 anos , morto na terça-feira (16) em um confronto com a polícia após assassinar a tiros a ex-esposa, a professora Terezinha Cristina Gentil dos Santos, de 53 anos, era acusado de violência doméstica contra a mulher em seis inquéritos policiais, três deles ainda em andamento no Fórum de Mogi das Cruzes. O primeiro boletim de ocorrência foi registrado pela professora em 2013.
Professora foi morta pelo marido em condomínio de Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução/TV Diário)
Professora foi morta pelo marido em condomínio de Mogi das Cruzes
Segundo a delegada responsável pela Delegacia da Mulher da cidade, Valene Bezerra, a vítima já havia registrado quatro boletins de ocorrência contra o ex-marido, o primeiro em 2013 e o último em fevereiro deste ano, após ele descumprir a medida protetiva que determinava a sua saída de casa.

A medida foi concedida pela Justiça em outubro, mas nunca houve um pedido de prisão, segundo a delegada. "Ele era uma pessoa agressiva, desequilibrada e alcoólatra, mas não havia elementos que justificassem a gravidade da situação a ponto de pedir sua prisão preventiva, já que ele na maioria das vezes, usava de ameaças e perseguições e não de agressões físicas. Por isso, a Justiça e ela própria entenderam que não havia necessidade de pedir a prisão", destacou Valene.

Em fevereiro, quando Davi foi notificado da decisão judicial que determinava sua saída de casa, Terezinha precisou procurar novamente a Delegacia da Mulher para denunciar a desobediência. "Assim que o oficial de justiça saiu da casa, ele voltou e quebrou tudo. A Terezinha veio até a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de desobediência, durante o horário de trabalho e acompanhada por uma colega da escola. Nós oferecemos um abrigo pra ela, mas ela recusou. Então saiu de casa e foi morar com a mãe, até conseguir o apartamento novo que o ex-marido, lamentavelmente, descobriu o endereço nesta semana. Nós esgotamos todas as possibilidades de ajuda possíveis. O que aconteceu foi uma fatalidade", destacou a delegada.

Prevenção e lei

Infelizmente pessoas próximas ao convívio de uma mulher vítima de violência também ficam de mãos atadas e pouco podem fazer para ajudar, segundo Rosana de Santana Pierucetti, advogada e presidente da ONG Recomeçar, que presta assistência às mulheres vítimas de violência.

"As pessoas têm as suas próprias vidas e fica complicado manter vigilância 24 horas por dia para ajudar quem está sendo ameaçada. Então, não temos outra alternativa a não ser a intensificação das leis de proteção, porque se não há fiscalização, essa proteção se perde no meio do caminho. Mogi das Cruzes precisa agilizar a implantação da Patrulha Maria da Penha na Guarda Municipal, que acompanharia os casos mais graves, e a Justiça poderia adotar o botão de pânico, para casos onde as ameaças e perseguições são mais comuns. É um investimento pequeno em vista no volume de vidas que poderemos salvar. Nem sempre a morte vai se resumir à mulher. No caso da professora, por exemplo, outras pessoas poderiam ter morrido. É um problema social e grave que afeta à todos", destacou.
Fonte: Por Jamile Santana, G1 Mogi das Cruzes e Suzano


Suspeito de matar a própria mãe no Dia das Mães é preso em SC
Homem de 41 anos foi encontrado em rua de Biguaçu, na Grande Florianópolis. Crime ocorreu na cidade vizinha de São José.

Um homem de 41 anos, suspeito de matar a própria mãe no Dia das Mães, foi preso na tarde desta quarta-feira (17) em Biguaçu, na Grande Florianópolis. De acordo com o delegado Rodolfo Cabral, responsável pelo caso, ele será ouvido ainda nesta quinta e depois encaminhado ao presídio. O crime ocorreu na cidade vizinha de São José.

Perto das 12h, o homem foi preso na rua no bairro Três Riachos. Foi expedido mandado de prisão temporária por 30 dias, segundo o delegado.

Crime

Segundo a Polícia Militar, a mulher morreu no hospital na tarde de domingo (14). Os policiais foram acionados às 12h17 para atender uma briga na casa de uma família. Quando chegaram ao local, não havia ninguém e um vizinho informou que uma mulher envolvida na briga havia sido encaminhada para uma unidade de saúde. Ela foi ferida com uma arma branca. A PM não soube detalhar qual tipo de arma.

Mais tarde, os policiais receberam a informação que a mulher havia morrido no hospital. O filho dela havia fugido.
Fonte: Por G1 SC

Notícias da semana: 13/05/2017 - 19/05/2017


- 18/05/2017

Um dia de combate a violência sexual contra crianças, PF faz ação antipedofilia em 17 estados e no DF
Operação busca reprimir compartilhamento de imagens ilegais.

Polícia Federal iniciou nesta quinta-feira (18) uma operação de combate à disseminação de pornografia infantil pela internet. A operação "Cabrera" busca impedir que imagens de crianças sejam guardadas ou compartilhadas na web.

Ao todo, foram expedidos 93 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva, quando o suspeito é levado a depor. Uma pessoa foi presa em Pernambuco, duas pessoas foram presas no Pará, duas no Amazonas, outras duas no Amapá, três em Santa Catarina e três em Mato Grosso do Sul. Outras duas pessoas foram presas na região de São Carlos (SP) e uma em Ribeirão Preto (SP). Uma pessoa também foi detida em Guapiaçu, no interior de São Paulo. As ações ocorrem em 17 estados e no Distrito Federal.

Notebook apreendido pela PF em ação contra pedofilia em Mato Grosso do Sul (Foto: PF/ Divulgação)
Notebook apreendido pela PF em ação contra pedofilia em Mato Grosso do Sul 

De acordo com a PF, foram reunidas informações e alvos de investigações de diversas unidades da corporação pelo Brasil, não diretamente relacionadas entre si, mas que tratam da disseminação transnacional de pornografia infantil. Os suspeitos recorreriam a de redes sociais, e-mail e aplicativos de mensagens e vídeo para trocar o material.

Os investigados podem responder por posse e compartilhamento de arquivos de pornografia infantil, com penas previstas que variam de 1 a 6 anos de prisão.

Segundo a PF, a operação foi batizada em homenagem a Araceli Cabrera Sánchez Crespo, uma menina brasileira de 8 anos que foi sequestrada, violentada e assassinada em 18 de maio de 1973, 
"crime que até hoje permanece impune". Posteriormente, a data ficou instituída como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.
Fonte: G1/DF


- 17/05/2017

Crime grave não gera presunção de culpa nem obriga prisão cautelar, julga STJ
 O Judiciário não pode adotar a tese de que, em casos de crimes graves, é preciso sempre decretar a prisão cautelar do réu antes do trânsito em julgado. Isso porque o princípio da presunção de inocência não cria graus de diferenciação entre delitos. Decisão unânime seguiu voto da ministra Maria Thereza de Assis Moura. 

Esse foi o entendimento unânime da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao permitir que o dono de uma clínica de reabilitação respondesse em liberdade seu processo por cárcere privado e maus-tratos. O réu foi condenado em primeiro e segundo graus por manter 43 pessoas, entre eles, dois menores de idade, em condições consideradas inaptas para o tratamento de desintoxicação. 

Na denúncia é citado que a clínica oferecia alimentação insuficiente e impedia os internos de saírem de seus quartos em dias de visita para não causar “má impressão” nos visitantes. Em recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo, após a condenação, os advogados Luciana Rodrigues e Welington Arruda, do Rodrigues e Arruda Advocacia, pediram que o réu pudesse recorrer em liberdade. “Primariedade, residência fixa e trabalho lícito são circunstâncias que não impedem a medida constritiva”, respondeu a corte paulista, ao negar a solicitação. 

O TJ-SP também destacou a necessidade de manter o réu preso por causa da possibilidade de atrapalhar os atos processuais, além da gravidade do crime. No recurso ao STJ, os advogados argumentaram que não há como manter alguém preso sob a alegação de a liberdade permitiria novo delito, "a menos que estejamos diante de mera futurologia”. Alegaram ainda que a liberdade do réu não coloca em risco a ordem pública ou atrapalha a instrução processual.

 "Não existe qualquer circunstância fática que sirva de indício à suposição de que, em liberdade, o Paciente comprometeria a ordem pública ou a paz social", disseram na peça. O Ministério Público Federal pediu que o HC fosse negado. Para a relatora do caso no STJ, ministra Maria Thereza de Assis Moura, não deve ser adotada pelos magistrados “a tese de que, nos casos de crimes graves, há uma presunção relativa da necessidade da custódia cautelar”. 

Segundo ela, esse tipo de prisão deve ser concedida apenas em situações extremas, partindo de dados obtidos a partir da experiência concreta. “E isso porque a Constituição da República não distinguiu, ao estabelecer que ninguém poderá ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória, entre crimes graves ou não, tampouco estabeleceu graus em tal presunção”, explicou a magistrada. 

A necessidade de fundamentação, continuou, é necessária porque o objeto atacado com a prisão é uma garantia constitucional, e, por isso, é preciso saber quais razões a motivam. “Dúvida não há, portanto, de que a liberdade é a regra, não compactuando com a automática determinação/manutenção de encarceramento. Pensar-se diferentemente seria como estabelecer uma gradação no estado de inocência presumida.”

 Especificamente sobre a decisão do TJ-SP, a ministra ressaltou que a “prisão provisória que não se justifica ante a ausência de fundamentação idônea”. Ela detalhou que os elementos citados na peça são frágeis e não conseguem ligar a gravidade do delito apontada pela corte e os elementos concretos da conduta. 

“A gravidade genérica do delito não sustenta a prisão. De igual modo, os demais elementos constituem embasamento frágil. Ao que se me afigura, pois, debruçando-me sobre o caso em concreto, a prisão cautelar não se sustenta, porque nitidamente desvinculada de qualquer elemento de cautelaridade”, diz o voto. Clique aqui para ler o voto da relatora. 
Fonte: Revista Consultor Jurídico


- 16/05/2017

MP não precisa de denúncia para agir contra agressão doméstica, fixa STJ 
Em casos de agressão doméstica contra a mulher, o Ministério Público pode iniciar ação penal mesmo que a vítima não faça denúncia. O entendimento foi fixado pela 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, que aprovou a revisão da tese fixada em recurso repetitivo. “A ação penal nos crimes de lesão corporal cometidos contra a mulher, no âmbito doméstico e familiar (Lei Maria da Penha), é incondicionada”, fixa a nova tese.

 A revisão deixa claro que o MP não depende mais da representação da vítima para iniciar a ação penal. De acordo com o ministro Rogerio Schietti Cruz, autor da proposta de revisão de tese, a alteração considera os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. “Concluiu-se, em suma, que, não obstante permanecer imperiosa a representação para crimes dispostos em leis diversas da Lei 9.099/95, como o de ameaça e os cometidos contra a dignidade sexual, nas hipóteses de lesões corporais, mesmo que de natureza leve ou culposa praticadas contra a mulher em âmbito doméstico, a ação penal cabível seria pública incondicionada”, explicou o relator. 

Essa orientação já vinha sendo adotada pelo STJ desde 2012, em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. A 3ª Seção do STJ chegou a editar a Súmula 542, em sentido oposto à antiga tese do recurso repetitivo, que ficou superada pela jurisprudência. 
Fonte: Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ. Revista Consultor Jurídico


- 13/05/2015

Marco Aurélio determina que TJ-GO promova audiências de custódia em até 24h
 O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, deferiu liminar para determinar que o Tribunal de Justiça de Goiás observe o prazo máximo de 24 horas, contado a partir do momento da prisão, para promover audiências de custódia, inclusive nos fins de semana, feriados ou recesso forense. 

A decisão foi tomada na Reclamação 25.891, ajuizada pela Defensoria Pública de Goiás. Segundo a Defensoria, a resolução do TJ-GO que trata da implantação das audiências de custódia em Goiânia afasta as sessões durante os plantões judiciais ordinários e de fins de semana. Tal ato afrontaria a decisão do STF de setembro de 2015 que, em medida cautelar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347, determinou aos juízes e tribunais a execução, em até 90 dias, de audiências de custódia nas quais o preso comparece perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas, contadas do momento da prisão. 

No exame da liminar, Marco Aurélio observou que a Defensoria apresentou diversos exemplos em que as prisões ocorreram em fins de semana, mas as audiências aconteceram dias depois. O relator destacou que ao deferir a liminar na ADPF 347, o Plenário do STF definiu que a audiência de custódia deve acontecer 24 horas a partir da prisão. “Inobservado o prazo indicado, fica configurado o desrespeito ao paradigma”, concluiu. 
Fonte: Com informações da Assessoria de Imprensa do STF./Revista Consultor Jurídico

Em Foco:


- 18/05/2017

Serial killer é condenado a 25 anos de prisão por morte de garota de programa em Aparecida de Goiânia
Tiago Henrique já foi condenado por 28 crimes e passou por 30 julgamentos. A vítima foi morta em março de 2014 com um tiro na cabeça.

Tiago Henrique é condenado a 25 anos de prisão por morte de garota de programa (Foto: Reprodução/TJ-GO) 

O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 29 anos, foi condenado a 25 anos de prisão pela morte da garota de programa Taís Pereira de Almeida, de 20 anos, após júri popular nesta quinta-feira (18), em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. O crime ocorreu em março de 2014, na avenida Nossa Senhora de Lourdes. Esta é a 28ª condenação dele, que já passou por 30 julgamentos.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) denunciou que Tiago estacionou sua moto, foi em direção à vítima e disparou na cabeça dela. O promotor Milton Marcolino dos Santos Júnior pediu que o réu fosse condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e por impossibilitar defesa da vítima, mas não arrolou nenhuma testemunha.

Já a defesa de Tiago, os advogados José Patrício Júnior e Antônio Celedonio Neto, pediram a semi-imputabilidade dele, alegando que ele não pode ser considerado “uma pessoa normal”. Além disso, alegaram que não havia provas suficientes para comprovar que a vítima foi morta pelo vigilante.

No entanto, o júri reconheceu que Tiago foi o autor do homicídio e manteve as qualificadoras pedidas pelo MP-GO.

O vigilante, apontado como responsável por mais de 30 assassinatos, está preso desde outubro de 2014. Dos 30 julgamentos a que ele já foi submetido, foi condenado em 28. Em outras duas situações, ele foi inocentado. Taís Pereira de Almeida

Crime

Durante audiência na 4ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, em agosto de 2015, o promotor Milton Marcolino dos Santos Júnior afirmou que o caso já havia sido arquivo pelo delegado responsável, Rogério Moreira Bicalho Filho, por falta de provas.

No entanto, quando Tiago assumiu ter cometido uma série de homicídios em Goiânia, o delegado pediu que fosse realizado um exame de balística, que comprovou que a arma usada pelo acusado era a mesma que matou Tais de Almeida.

“Não existe nenhuma dúvida de que quem cometeu o homicídio foi o próprio Tiago. O exame é uma prova extraordinária que comprova de forma inequívoca que o projétil retirado do corpo vítima foi expelido pela arma que foi apreendida com o Tiago. Logo depois que foi feito esse exame pericial, ele foi chamado para ser ouvido e falou que não se lembrava”, afirmou o promotor na época.

Livro

Tiago Henrique vai lançar um livro sobre os crimes cometidos e sua conversão espiritual. Com o título "Tiago Rocha: Um pouco da história por trás de um serial killer", a obra foi escrita na cadeia, onde está preso desde 2014, e deve ficar pronta no próximo mês de junho. O material, que já foi reunido e encaminhado para uma gráfica, deixou as famílias das vítimas revoltadas.

Livro que será lançado por Tiago da Rocha, o serial killer de Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Para realizar o trabalho, o vigilante contou com o apoio do padre Luiz Augusto Ferreira da Silva, apontado como servidor fantasma da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
Fonte: G1/GO

Empresário do goleiro Bruno é suspeito de matar enteado em Matozinhos, na Região Metropolitana de BH
Segundo PM, jovem de 20 anos estaria agredindo a esposa, quando ele atirou. Lúcio Mauro de Melo Rodrigues, de 44 anos, está foragido.

 Lúcio Mauro de Melo Rodrigues, de 44 anos, é empresário do goleiro Bruno Fernandes (Foto: Reprodução GloboEsporte.com)
Lúcio Mauro de Melo Rodrigues, de 44 anos, é empresário do goleiro Bruno Fernandes (Foto: Reprodução GloboEsporte.com)

O empresário do goleiro Bruno Fernandes, Lúcio Mauro de Melo Rodrigues, de 44 anos, é suspeito de matar o enteado em Matozinhos, cidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Segundo a Polícia Militar, o motivo do crime seria uma briga com o rapaz na tarde desta quinta-feira (18).

Ainda segundo informações da PM, a vítima é Rodrigo da Silva Almeida, de 20 anos. Ele seria filho da atual mulher do empresário. Segundo consta no boletim de ocorrência, a vítima estaria batendo na esposa, uma jovem de 22 anos, e Lúcio Mauro teria intervido, quando atirou contra o rapaz. Ainda de acordo com o documento, durante as discussões com o padrasto, Rodrigo teria dito que iria matar a mãe, a esposa e o filho de 4 anos.

Ainda conforme os policiais, o rapaz levou um tiro no tórax e morreu no local. Uma ambulância foi acionada, ma sao chegar ao local ele já estava sem vida. Após cometer o crime, Lúcio Mauro teria fugido em um carro.

Segundo os policiais, durante as buscas foram encontradas uma submetralhadora de fabricação artesanal, um silenciador e um carregador. O armamento não teria sido utilizado no crime, segundo a PM. A polícia informou ainda que a vítima era usuária de drogas e já tinha passagens por vários crimes.

Até a publicação desta reportagem, Lúcio Mauro ainda não havia sido localizado.
Fonte: G1/MG